Hoje
estava fazendo uma análise sobre meus aniversários. Entrava o ano já pensando
na data e, no decorrer dos meses, nunca via tanta demora em que o mês de abril
passasse logo. Maio entrava tímido como as manhãs do outono e logo, findada sua
primeira semana, chegava o meu grande dia. Abraços, telefonemas e presentes. Quem
não gosta disso no dia de aniversário com exceção dos parabéns a você e o
famoso com quem será?
Parece
que me lembro de todos aniversários. Festas improvisadas na garagem, meus
primos correndo pelos cantos da casa com meus brinquedos, o bolo dos oito anos
enfeitado com minha coleção de bonecos do He-man. Enfim, uma nostalgia que só
de fechar os olhos consigo escutar vozes de pessoas que não fazem parte deste
mundo (meus queridos avós maternos) e pessoas que, assim como eu, concluíram
sua infância e juventude e hoje detêm o título de adultos. Se bem que existem
alguns adultos com certas atitudes... Bom, mas o fato é outro. Em nossa fase
adulta, vivemos tão as pressas que o aniversário passa a ser do mesmo modo. Os
primos já não podem vir, alguns amigos têm vários compromissos e outras pessoas
simplesmente esquecem o seu dia e só ligam uma semana depois como se tivessem
faltado ao serviço sem dar uma explicação plausível para o chefe temendo o
corte do ponto.
Diferentemente
das outras datas, vejo esta de forma especial. Não creio que especial seja a
palavra correta, mas ela chega a ser... Estranha! Afinal entrarei para o clube
dos balzaquianos. Pensava que o termo servia exclusivamente para mulheres
inspirado na obra mulher de trinta anos de Balzac. O termo foi crescendo tanto
que agora pode servir também para nós homens.
Minha
estranheza não é pela vaidade, mas sim por nunca imaginar este dia chegando
juntamente com uma carga de compromissos propícios desta fase como emprego, planejamento
financeiro, restrições de antigos hábitos, relacionamento durável, enfim um
amadurecimento que sinto ter chegado anos atrás com o surgimento de fios
brancos na vasta cabeleira negra.
Já
não consigo me apegar a qualquer coisa pela mais banal que seja. Os olhos já são
projetados com lentes de aumento, as roupas vão ficando cada vez mais sérias
sem precisar, creio eu, de usar ternos e só o que ainda não mudou, aliás, não passou
por um período de maturidade, é a incessante busca em sempre tentar alcançar os
céus, errar as estrelas e chegar à lua. Torço para que tal busca seja impossível,
pois só assim continuarei com mais sagacidade acreditando que o fim de tudo, ou
melhor, a fase das conquistas não pertence somente ao período balzaquiano. Do contrário,
adoeceria propositalmente contraindo a síndrome de Peter Pan buscando a realização
dos meus sonhos.

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