Cotidianamente venho a observar que a pauta das conversas dos cidadãos congonhenses, sejam elas formais, em reuniões administrativas com o poder executivo juntamente com empresários de grandes setores privados, ou informais, entre pessoas paradas em um ponto de ônibus, padarias, bares, restaurantes, vão sendo calçadas pelo mesmo tema: a frenética poeira que invade nossos lares, comércios além de prejudicar nossa saúde.
Todos estão chocados com tamanha negligência das empresas de fomento mineral que exploram de maneira abusiva nosso minério deixando-nos em uma situação de total desconforto. Vejo o cidadão congonhense traçar a cada dia um perfil de participação política mais ativa que, se comparado há alguns negros anos atrás, era completamente inexistente, sufocado pela infausta era de uma cidade coronelista, perseguindo qualquer civil que demonstrasse publicamente sua indignação com tamanha corrupção.
Os protestos existem desde que o ser humano tomou por si a indignação perante aos que o governam. Como exemplo podemos citar os filósofos da Grécia antiga que iam para as praças da pólis instruir os então considerados cidadãos sobre seus direitos. Já no século XIX temos manifestações intensas na Europa, sejam elas de caráter anarquistas, comandadas por Mikail Bakunin, construindo barricadas ou lideradas pelas ideias de Karl Marx e Engels na publicação do Manifesto Comunista. Todas estas duas últimas sendo feitas em prol do proletariado contra os abusos do regime capitalista, ou seja, melhores e mais dignas condições de trabalho.
Estamos vivendo uma época onde ficar parado e abaixar a cabeça para tudo é nada mais do que sujeitar-se a própria morte. Todos reivindicam, todos reclamam: “a cidade está imunda”, “não agüento mais essa poeira”. Mas será que tamanha reclamação é plausível? Será que não estamos também nos esquecendo das coisas mais simples de nossas vidas que são de extrema importância? Que estamos mais questionadores isto é fato. Mas nos esquecemos de apreciar as pequenas coisas quando estamos andando por nossa cidade. O sol irradiante que nos aquece pela manhã, o verde de nossas árvores nas praças da cidade e sem contar na imponência dos ipês amarelos que rondam praticamente todos os lugares da cidade com sua altura e beleza estonteante. Fico admirado quando estou indo trabalhar e me deparo com suas copas a cada lado que olho seja ele no meio de outras árvores verdejantes ou praças e quintais dos congonhenses. Sinceramente é um espetáculo da natureza que estamos não só deixando de observar em nosso dia a dia como também deixando de cuidar.
Certo dia, fazendo uma pesquisa mais a fundo sobre esta espécie de árvore, pude adquirir o conhecimento de que a mesma é encontrada em todas as regiões do país além de ser escolhida pelo ex-presidente Jânio Quadros como um dos símbolos do Brasil. Seu período de floração é característico do inverno e quanto mais fria a estação mais abundantes serão suas flores. Tal floração só é possível graças ao transporte de seiva bruta sendo transformada em seiva elaborada gerando tamanho espetáculo e pasmem sua principal fonte de energia são as próprias folhas que caem próximas a sua raiz servindo de alimento para a árvore. E daí? Você pode estar se perguntando. E daí é que a maioria das pessoas varrem as folhas dos ipês não deixando a própria árvore se alimentar, pois consideram aquilo como lixo. Sendo assim, com o tempo, o ipê continuará a florescer, porém, cada dia em menor intensidade até que suas flores desapareçam por completo em um próximo inverno.
Com tantas reclamações, que repito, de fato são importantes, deveríamos também preocupar-nos com nosso meio do qual fazemos parte. Se quisermos uma cidade livre da poeira porque atirar lixo na rua? Por que varrer a calçada com água? Por que não por em prática a separação do lixo seco e do lixo úmido em nossas residências para que posteriormente, quando tivermos uma coleta seletiva já estaremos mais habituados com essa boa mudança?
Devemos sim por em prática toda educação ambiental que na maioria das vezes fica só como orientação para que possamos cobrar, reclamar com mais intensidade já que então estaríamos colaborando para uma cidade mais limpa mais florida e melhor para se viver e cada vez mais politizada. Uma Congonhas realmente mais bonita.
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