sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Nossa educação ambiental começa dentro de casa

Cotidianamente venho a observar que a pauta das conversas dos cidadãos congonhenses, sejam elas formais, em reuniões administrativas com o poder executivo juntamente com empresários de grandes setores privados, ou informais, entre pessoas paradas em um ponto de ônibus, padarias, bares, restaurantes, vão sendo calçadas pelo mesmo tema: a frenética poeira que invade nossos lares, comércios além de prejudicar nossa saúde.
Todos estão chocados com tamanha negligência das empresas de fomento mineral que exploram de maneira abusiva nosso minério deixando-nos em uma situação de total desconforto. Vejo o cidadão congonhense traçar a cada dia um perfil de participação política mais ativa que, se comparado há alguns negros anos atrás, era completamente inexistente, sufocado pela infausta era de uma cidade coronelista, perseguindo qualquer civil que demonstrasse publicamente sua indignação com tamanha corrupção.
Os protestos existem desde que o ser humano tomou por si a indignação perante aos que o governam. Como exemplo podemos citar os filósofos da Grécia antiga que iam para as praças da pólis instruir os então considerados cidadãos sobre seus direitos. Já no século XIX temos manifestações intensas na Europa, sejam elas de caráter anarquistas, comandadas por Mikail Bakunin, construindo barricadas ou lideradas pelas ideias de Karl Marx e Engels na publicação do Manifesto Comunista. Todas estas duas últimas sendo feitas em prol do proletariado contra os abusos do regime capitalista, ou seja, melhores e mais dignas condições de trabalho.
Estamos vivendo uma época onde ficar parado e abaixar a cabeça para tudo é nada mais do que sujeitar-se a própria morte. Todos reivindicam, todos reclamam: “a cidade está imunda”, “não agüento mais essa poeira”. Mas será que tamanha reclamação é plausível? Será que não estamos também nos esquecendo das coisas mais simples de nossas vidas que são de extrema importância? Que estamos mais questionadores isto é fato. Mas nos esquecemos de apreciar as pequenas coisas quando estamos andando por nossa cidade. O sol irradiante que nos aquece pela manhã, o verde de nossas árvores nas praças da cidade e sem contar na imponência dos ipês amarelos que rondam praticamente todos os lugares da cidade com sua altura e beleza estonteante. Fico admirado quando estou indo trabalhar e me deparo com suas copas a cada lado que olho seja ele no meio de outras árvores verdejantes ou praças e quintais dos congonhenses. Sinceramente é um espetáculo da natureza que estamos não só deixando de observar em nosso dia a dia como também deixando de cuidar.
Certo dia, fazendo uma pesquisa mais a fundo sobre esta espécie de árvore, pude adquirir o conhecimento de que a mesma é encontrada em todas as regiões do país além de ser escolhida pelo ex-presidente Jânio Quadros como um dos símbolos do Brasil. Seu período de floração é característico do inverno e quanto mais fria a estação mais abundantes serão suas flores. Tal floração só é possível graças ao transporte de seiva bruta sendo transformada em seiva elaborada gerando tamanho espetáculo e pasmem sua principal fonte de energia são as próprias folhas que caem próximas a sua raiz servindo de alimento para a árvore. E daí? Você pode estar se perguntando. E daí é que a maioria das pessoas varrem as folhas dos ipês não deixando a própria árvore se alimentar, pois consideram aquilo como lixo. Sendo assim, com o tempo, o ipê continuará a florescer, porém, cada dia em menor intensidade até que suas flores desapareçam por completo em um próximo inverno.
Com tantas reclamações, que repito, de fato são importantes, deveríamos também preocupar-nos com nosso meio do qual fazemos parte. Se quisermos uma cidade livre da poeira porque atirar lixo na rua? Por que varrer a calçada com água? Por que não por em prática a separação do lixo seco e do lixo úmido em nossas residências para que posteriormente, quando tivermos uma coleta seletiva já estaremos mais habituados com essa boa mudança?
Devemos sim por em prática toda educação ambiental que na maioria das vezes fica só como orientação para que possamos cobrar, reclamar com mais intensidade já que então estaríamos colaborando para uma cidade mais limpa mais florida e melhor para se viver e cada vez mais politizada. Uma Congonhas realmente mais bonita.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Como se fosse receita de bolo

Fico a me perguntar sobre meu comportamento. Mesmo indo contra as regras impostas pela sociedade vigente, acabo, sem querer, fazendo tudo como manda o figurino. Na verdade parece até que estou lendo um livro de etiquetas da Glória Kalil. Tento me envolver (sempre tendo a certeza de que nunca tenho capacidade para seduzir alguém),
 conheço, harmonizo, entendo as idéias e tento compartilhá-las, apesar de muitas não baterem muito bem com meu perfil. Em seguida, começo a fazer parte daquele mundo que não era meu, ou melhor, mundo do qual não fazia parte. Passo a freqüentar seus lugares preferidos, vou a algumas festas a meu ver um tanto quanto estranhas, conheço pessoas do seu meio, mãe, Pai, tios, tias, cachorro, gato, galinha. Vou aos poucos invadindo seu lar, sento-me na sua sala de estar, no seu sofazinho desbotado, feio e opaco em um dia morto domingo, ou num sábado em que não arrumamos nada para fazer, durmo ao seu lado e posso também acordar  do mesmo lado quando você acha conveniente,aliás, sem qualquer perigo. Viajo para onde você está para que tenhamos mais privacidade. Nossas intimidades vão aos poucos sendo expostas de modo  natural. O quarto escuro daquela negra noite de sexo começa a dar lugar para uma bela manhã, uma intensa tarde, ou também uma negra noite, porém, desta vez, com a ajuda de uma meia luz clareando nossos corpos. Tudo se torna agradabilíssimo! Nossos problemas vão sendo também expostos, um sempre tenta ajudar ao outro, aconselhando, dando aquela verdadeira força em momentos de extremo vazio. Estranho! Sempre ouço que sou uma pessoa com um coração enorme do qual não tenho idéia do quanto seja bondoso. Bondade! Se ela existe, por quê os sentimentos aos poucos tendem a se esvair pelo decorrer dos meses que vão adentrando? Por quê eles tendem a se consumir pelas mãos como gotas de mercúrio quando estão expostas do termômetro de vidro? Tudo se torna amargo em um instante e a explicação quase nunca é aceitável. Soa como uma desculpa, algo que não faz tanto sentido depois de tudo que se passou. Parece que a novela da vida real teve seus capítulos reduzidos devido às constantes baixas do ibope.  Enfim tudo se acaba e quando menos espero, já estou, acreditem sem me programar ou esperar por isso, novamente envolvido e o ciclo que se fechou, a historia que deveria ter terminado volta com o mesmo tema onde nem sequer muda-se o ambiente e simplesmente alguns atores onde eu mais uma vez estou ali, protagonizando a mesma novela. Novela? Não. Creio que seria mais um filme. É isso aí! Um filme parecidíssimo com o Doce Novembro. Onde aquela mulher toda desapegada de bens materiais tem relacionamentos curtos e em determinado momento, quando tudo em certa sintonia, ela simplesmente desaparece, some e deixa sua lição para que as pessoas vivam os prazeres de sua vida pois a mesma é muito curta. Mas eu não estou doente e acho que não tenho a capacidade, o dom, de ensinar pessoas a serem felizes. Na verdade, precisamente hoje, neste exato momento, eu acho que as estrago e passo a ser a desintegração.