quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Como se fosse receita de bolo

Fico a me perguntar sobre meu comportamento. Mesmo indo contra as regras impostas pela sociedade vigente, acabo, sem querer, fazendo tudo como manda o figurino. Na verdade parece até que estou lendo um livro de etiquetas da Glória Kalil. Tento me envolver (sempre tendo a certeza de que nunca tenho capacidade para seduzir alguém),
 conheço, harmonizo, entendo as idéias e tento compartilhá-las, apesar de muitas não baterem muito bem com meu perfil. Em seguida, começo a fazer parte daquele mundo que não era meu, ou melhor, mundo do qual não fazia parte. Passo a freqüentar seus lugares preferidos, vou a algumas festas a meu ver um tanto quanto estranhas, conheço pessoas do seu meio, mãe, Pai, tios, tias, cachorro, gato, galinha. Vou aos poucos invadindo seu lar, sento-me na sua sala de estar, no seu sofazinho desbotado, feio e opaco em um dia morto domingo, ou num sábado em que não arrumamos nada para fazer, durmo ao seu lado e posso também acordar  do mesmo lado quando você acha conveniente,aliás, sem qualquer perigo. Viajo para onde você está para que tenhamos mais privacidade. Nossas intimidades vão aos poucos sendo expostas de modo  natural. O quarto escuro daquela negra noite de sexo começa a dar lugar para uma bela manhã, uma intensa tarde, ou também uma negra noite, porém, desta vez, com a ajuda de uma meia luz clareando nossos corpos. Tudo se torna agradabilíssimo! Nossos problemas vão sendo também expostos, um sempre tenta ajudar ao outro, aconselhando, dando aquela verdadeira força em momentos de extremo vazio. Estranho! Sempre ouço que sou uma pessoa com um coração enorme do qual não tenho idéia do quanto seja bondoso. Bondade! Se ela existe, por quê os sentimentos aos poucos tendem a se esvair pelo decorrer dos meses que vão adentrando? Por quê eles tendem a se consumir pelas mãos como gotas de mercúrio quando estão expostas do termômetro de vidro? Tudo se torna amargo em um instante e a explicação quase nunca é aceitável. Soa como uma desculpa, algo que não faz tanto sentido depois de tudo que se passou. Parece que a novela da vida real teve seus capítulos reduzidos devido às constantes baixas do ibope.  Enfim tudo se acaba e quando menos espero, já estou, acreditem sem me programar ou esperar por isso, novamente envolvido e o ciclo que se fechou, a historia que deveria ter terminado volta com o mesmo tema onde nem sequer muda-se o ambiente e simplesmente alguns atores onde eu mais uma vez estou ali, protagonizando a mesma novela. Novela? Não. Creio que seria mais um filme. É isso aí! Um filme parecidíssimo com o Doce Novembro. Onde aquela mulher toda desapegada de bens materiais tem relacionamentos curtos e em determinado momento, quando tudo em certa sintonia, ela simplesmente desaparece, some e deixa sua lição para que as pessoas vivam os prazeres de sua vida pois a mesma é muito curta. Mas eu não estou doente e acho que não tenho a capacidade, o dom, de ensinar pessoas a serem felizes. Na verdade, precisamente hoje, neste exato momento, eu acho que as estrago e passo a ser a desintegração.

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