quarta-feira, 25 de abril de 2012

Com ou sem ar condicionado?


Viagem. É nunca escrevi sobre isto aqui! Certa vez determinei algo em minha vida que juntaria dinheiro e iria realizar uma. Praias do Brasil? Não. Definitivamente não. Europa? Quanta pretensão para um funcionário público contratado. Se bem que o salário não é ruim, mas saber que a estabilidade é ínfima aí sim é um caso a se pensar e com muito cuidado. Ainda não realizei minha sonhada viagem, mas ontem, sem querer, meio que por acaso, viajei para vários cantos do planeta. Aí vocês devem estar se perguntando: mais um fazendo uso de lisérgicos e contando seus devaneios.
Na verdade, tudo começou da seguinte maneira: no inicio de uma linda noite de terça-feira  sentei em uma cadeira vermelha apertada para minha estatura, que me fez lembrar uma infausta viagem para Vitória ES, acho que vem daí minha náusea por praias, deixando realmente mal humorado com tudo. Pois bem, ao sentar naquela cadeira vermelha meus joelhos já começaram a sentir a pressão de quem se debruçava no encosto da cadeira posterior. Uma hora e alguns minutos depois teve início a viagem.
As luzes do ambiente apagaram-se, todos os passageiros foram tomados por um silêncio absoluto e de repente decolei para onde nunca pensava em ir: Europa. Passei pela Suíça onde conheci um civil fanático pelo meu país. Sua casa era coberta por uma enorme bandeira brasileira, suas roupas eram sempre representadas pelo marcante verde e amarelo. Nunca vi tanta hospitalidade em um europeu que mais parecia brasileiro. Depois de um certo tempo de conversa a fim de fazer minhas necessidades fisiológicas fui visitar seu banheiro. Tudo normal a não ser a dita privada. A mesma continha um adesivo com um boneco palito ilustrado representando um homem segurando sua parte íntima e logo acima um sinal de proibido. Não entendi nada e antes mesmo de fazer algo errado, mesmo apertado, sai do banheiro e fui logo perguntar ao dono da casa onde eu deveria urinar certo de que na privada era proibido. Vendo minha indagação o homem, que vestia saias, tranquilamente veio me explicar: “o lugar é este, porém, não só em minha residência, mas como em toda suíça, urinamos sentados na privada. É bem mais higiênico e não deixa mau cheiro no ambiente”. Fique pasmo! Esse sem dúvida é o melhor método para não errar a pontaria.
 Saí dali e fui direto para Índia. Lá todo  mau cheiro da privada era encontrado por toda parte. Quanta gente e quanta ausência de higiene! De um lado do rio Gangis vi pessoas lavando suas roupas, convivendo com outras que defecavam por ali mesmo e outras que lavavam suas roupas tudo isso no mesmo ambiente, na mesma água. O sagrado realmente falava mais alto. Até dentista de rua foi possível ver. Aperta dali, molda daqui e com ferramentas sem esterilização alguma  estava lá mais uma dentadura feita na rua.
Partindo para Portugal, presenciei algo mais exótico ou vergonhoso. Em Portugal quando você deve alguma conta, seu nome não é levado ao SPC ou algo do tipo. Um homem vestido de preto o acompanha feito uma sombra por quase todos os cantos e assim os outros civis ficam sabendo do seu mais novo calote na praça. Quanta criatividade não?
Em Dubai não poderia ser diferente. Mais um choque cultural! Em meio a um calor parecido com o carioca vi mulheres vestidas de preto como os homens de Portugal. Era uma espécie de burca, entretanto, seus lindos rostos ficavam completamente a mostra. Esta vestimenta é algo obrigatório por cima de qualquer roupa e até em um momento de prazer como ir a praia, por exemplo, deve ser usada. Um uniforme. E  somente seu marido pode ver seu corpo. Um marido que pode ter até três mulheres desde que saiba ministrar seu dinheiro de forma igualitária entre ambas.
Na Alemanha mesmo após tantos anos do terrível período Nazi-fascista, longe das cidades mais agitadas como Berlin ou Boom, pude observar o horror dos nativos aos estrangeiros. Quase todo cidadão alemão fala um inglês compreensível, mas não são muito favoráveis a dar informações em outro idioma para quem visita seu país. Era como se você está na Alemanha pronuncie meu idioma. Bem perto dali, quase vizinhos, dei uma volta na terra dos perfumes, capital da moda, das ideias iluministas. A França continua linda, diga-se de passagem. O único problema foi ter escolhido o inverno como estação de visita. Frio? Muito como sempre. Mas desta vez estava bem protegido. O problema maior é que nesta estação os românticos franceses fazem uso de um banho parecido com banho de leito, ou seja, lavam algumas partes de corpo e se entopem dos mais distintos perfumes. Resultado: adentrar em um metrô é tarefa árdua. Vários cheiros que chegam a dar náuseas lembrando totalmente o inverso das ótimas fragrâncias.
Finalmente,  depois de mais ou menos duas horas de viagem, retornei para minha tão querida, suja e triste cidade natal que respira poeira misturada  ao minério de ferro e que pode ofertar-nos  uma linda noite voltada para cultura engrandecendo nossos conhecimentos sem precisar ir tão longe. Obrigado senhor jornalista Mauricio Kubrusly por esta aula de cidadania, cultura e acima de tudo respeito as diferenças. 

2 comentários:

  1. Amigo, tive a oportunidade de assistir a palestra do Kubrusly aqui em Mariana na segunda feira, impressionante como ele fica a vontade pra falar em público e a sua capacidade de descrever os lugares e as situações. Porém, senti que as reportagens, e as falas do jornalista, serviram para reforçar estereótipos. Por exemplo, a falta de higiene da Índia, ou a imagem ruim da Jamaica ao falar do contrabando. Mas, de modo geral, foi uma ótima palestra.

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    1. Eu senti meio que uma espécie de...a Globo é uma mãe para mim. Sem ela eu não seria ninguém!!! No mais aqui em Congonhas até que foi tranquilo Fêh heheheheehehehee

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